A segunda metade de setembro reserva uma sequência de fenômenos astronômicos fáceis de acompanhar a olho nu, sem telescópio e sem sair da cidade. A agenda inclui a chegada da primavera no Hemisfério Sul, o momento de maior brilho de Vênus nesta temporada de fim de tarde, uma noite internacional dedicada à observação da Lua e uma Lua cheia que surge acompanhada de Saturno. A programação foi detalhada pela NASA em seu guia mensal de observação do céu, e as datas das estações constam das tabelas do Observatório Naval dos Estados Unidos (USNO).
A primavera chega na noite de 22 de setembro
O equinócio de setembro ocorre à 00h05 do dia 23 no Tempo Universal Coordenado, segundo os dados astronômicos do USNO. No horário de Brasília, isso corresponde a 22 de setembro, às 21h05. É nesse instante que começa oficialmente a primavera no Hemisfério Sul e o outono no Hemisfério Norte.
O fenômeno acontece quando o Sol, em seu movimento aparente ao longo do ano, cruza o equador celeste. Nesse momento, os dois hemisférios recebem iluminação solar de forma semelhante, e a duração do dia e da noite fica praticamente igual em todo o planeta, como explica a NASA. A partir daí, no Brasil, os dias passam a ficar gradualmente mais longos que as noites. A estação vai até o solstício de dezembro, marcado pelo USNO para as 20h50 (UTC) de 21 de dezembro, ou 17h50 no horário de Brasília, quando começa o verão.
Vênus em seu momento mais brilhante
Quem olhar para o oeste logo após o pôr do sol vai encontrar o objeto mais chamativo do céu depois da Lua. De acordo com a NASA, Vênus atinge em 18 de setembro o brilho máximo de sua atual aparição vespertina. A agência descreve o planeta como um ponto de luz intenso, baixo sobre o horizonte oeste, que ofusca todas as estrelas ao redor.
Como o planeta fica próximo do horizonte, a recomendação é procurar um local com vista desimpedida para o poente, longe de prédios, morros ou árvores. O brilho elevado de Vênus nessa fase não se deve apenas à proximidade com a Terra, mas também à combinação entre distância e a fração iluminada do disco planetário vista daqui. Mesmo nos dias seguintes à data indicada, o planeta segue muito brilhante e fácil de identificar.
Lua passeia por Escorpião e Sagitário
Entre 14 e 20 de setembro, a Lua crescente serve de guia para duas regiões conhecidas do céu, segundo o roteiro da NASA. Cerca de uma hora após o pôr do sol, ela aparece perto de Antares, a estrela avermelhada que marca o coração da constelação de Escorpião. Nas noites seguintes, avança em direção ao asterismo do Bule, formado por estrelas de Sagitário que lembram o desenho de uma chaleira, com alça, tampa e bico.
Para o público brasileiro, a posição é favorável: nesta época do ano, Escorpião e Sagitário ficam bem altos no céu do início da noite no Hemisfério Sul. Em locais escuros, longe da iluminação urbana, a NASA lembra que é possível perceber a faixa da Via Láctea e a direção de seu centro logo além do bico do Bule.
Noite internacional de observação da Lua
No sábado, 19 de setembro, acontece a Noite Internacional de Observação da Lua (International Observe the Moon Night), iniciativa que convida pessoas de todo o mundo a olhar para o satélite natural com binóculos, telescópios ou simplesmente a olho nu. Planetários, clubes de astronomia e instituições de ensino costumam organizar sessões abertas nessa data. Os eventos cadastrados podem ser consultados na página oficial da iniciativa.
Lua cheia com Saturno e Netuno por perto
O mês termina com mais um encontro. Em 26 de setembro, a Lua cheia nasce a leste pouco depois do pôr do sol e, segundo a NASA, Saturno aparece nas proximidades, visível sem instrumentos. No Hemisfério Norte, a Lua cheia mais próxima do equinócio de setembro é tradicionalmente chamada de Lua da Colheita.
Netuno completa um amplo triângulo com a Lua e Saturno, mas não pode ser visto a olho nu: com magnitude em torno de 8, exige binóculos ou telescópio, além de uma carta celeste detalhada. O planeta mais distante do Sistema Solar chega à oposição entre 25 e 26 de setembro, quando fica do lado oposto ao Sol em relação à Terra e permanece acima do horizonte durante toda a noite.
Resumo das datas
- 14 a 20/09: Lua perto de Antares e do Bule de Sagitário, cerca de uma hora após o pôr do sol.
- 18/09: Vênus no brilho máximo desta aparição, baixo no oeste ao anoitecer.
- 19/09: Noite Internacional de Observação da Lua.
- 22/09, 21h05 (Brasília): equinócio e início da primavera no Hemisfério Sul.
- 25 e 26/09: oposição de Netuno.
- 26/09: Lua cheia nasce perto de Saturno.
Nenhum desses eventos exige equipamento caro. Um horizonte limpo, céu sem nuvens e alguns minutos de paciência bastam para acompanhar a maior parte da programação, que pode ser conferida em detalhes no guia de observação de setembro da NASA. Para quem quiser ir além, binóculos simples já ajudam a revelar crateras lunares e, com uma boa carta celeste, o discreto ponto azulado de Netuno.
