O Brasil registrou 36 casos de sarampo em 2026: 32 em São Paulo, 3 no Amazonas e 1 no Rio de Janeiro. Os números foram atualizados na sexta-feira (11), quando o Amazonas confirmou três casos de sarampo na cidade de Tabatinga, na tríplice fronteira com a Colômbia e o Peru, e São Paulo confirmou mais dois casos da doença, elevando o total do estado a 32 registros no ano.
Casos importados em Tabatinga
Os três casos confirmados em Tabatinga envolvem pessoas vindas da cidade peruana de Alto Monte que não tinham sido vacinadas: uma mulher de 24 anos e duas crianças, de 8 e 1 ano, que passaram um tempo no país vizinho recentemente e chegaram a receber atendimento médico lá depois de apresentar sintomas. A mulher contou ter tido contato com um irmão que também mostrava sinais da doença. Os três seguiam isolados na cidade.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas investigava ainda outros dois casos: um menino peruano de dois anos, que morou quase um ano no país vizinho e voltou recentemente ao Brasil (também em Tabatinga), e uma menina de 1 ano em Carauari, com sintomas típicos da doença mas sem viagem ao exterior nem contato registrado com suspeitos. A fundação isolou os pacientes confirmados e suspeitos, passou a acompanhar quem teve contato com eles e reforçou a vacinação contra o sarampo na região como forma de conter o vírus.
O Ministério da Saúde informou que intensificaria as ações de vigilância contra o sarampo no estado e que enviaria equipes aos municípios de Tabatinga e Carauari para apoiar os serviços de saúde locais. A pasta reforçou que os casos “ocorrem em meio a surtos em outros países das Américas” e que o Brasil segue certificado como área livre da doença. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde, já haviam sido confirmados mais de 47 mil casos no continente, incluindo 44 óbitos, com o Peru entre os países com mais registros, atrás de Guatemala, México e Estados Unidos.
São Paulo tem quatro cadeias de transmissão, três ativas
Em São Paulo, os dois novos casos confirmados na sexta-feira (11), com o fim da semana epidemiológica 36, eram de uma menina de seis meses com esquema vacinal incompleto e de um homem de 28 anos já vacinado contra a doença. Das 32 pessoas contaminadas no estado neste ano, 29 casos ocorreram na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. No decorrer de 2026, quatro cadeias de transmissão foram identificadas no estado e três seguiam ativas; a primeira, notificada entre março e abril, está ligada a dois casos importados, e a segunda foi encerrada após 12 semanas sem novas ocorrências. As cadeias ativas nos meses de junho, julho e agosto estavam sendo monitoradas por equipes de vigilância epidemiológica estadual e municipal.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, afirmou que casos importados também podem ser o início de cadeias de transmissão dentro do território nacional. “É fundamental a vigilância, o bloqueio desses casos confirmados, a vacinação de pessoas suscetíveis que tiveram contato. Com esses estados registrando casos, sempre há um risco de retorno da doença. Geralmente a porta de entrada são os locais de imigração”, disse. Kfouri destacou ainda que o Brasil vinha implementando medidas para manter o país livre da transmissão sustentada do sarampo, como a aplicação da chamada “dose zero” da vacina em bebês entre 6 e 11 meses que vivem em áreas com registro da doença, e doses de reforço na população dos locais de maior risco.
Calendário de vacinação
A vacina contra o sarampo é oferecida gratuitamente pelo SUS. Dentro do calendário básico, deve ser tomada em duas doses, aos 12 e aos 15 meses. Todas as pessoas com até 59 anos que não têm comprovante de vacinação devem atualizar a carteirinha. Em São Paulo, a tríplice viral — que também protege contra caxumba e rubéola — está disponível nas unidades básicas de saúde dos 645 municípios do estado, com esquema que varia por faixa etária: uma dose aos 12 meses e outra aos 15 meses para crianças; duas doses com intervalo mínimo de 30 dias para pessoas de 15 meses a 29 anos; ao menos uma dose registrada para quem tem de 30 a 59 anos; e duas doses para trabalhadores da saúde, independentemente da idade. A dose zero, voltada a crianças de 6 meses a 11 meses e 29 dias, continua disponível em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. As equipes de vigilância podem indicá-la a crianças dessa idade que tenham tido contato com casos suspeitos ou confirmados de sarampo. Ela não substitui as doses previstas no calendário: mesmo vacinada antes de completar 1 ano, a criança deve receber normalmente a primeira dose aos 12 meses e a segunda aos 15 meses.
