A Arábia Saudita interrompeu a operação do seu oleoduto Leste-Oeste depois que a estrutura foi alvo de um ataque aéreo, no contexto de uma guerra que se intensifica no Oriente Médio e ameaça pressionar ainda mais os preços de energia.
Segundo o país, maior exportador mundial de petróleo bruto, o fechamento é temporário e foi uma medida de precaução após um ataque com drones que, de acordo com Riad e Bagdá, teria partido do território iraquiano, onde atuam milícias apoiadas pelo Irã. Em resposta ao episódio, o Iraque afastou um comandante militar no sábado (12).
Rota transportava até 5 milhões de barris por dia
Com 1,2 mil km de extensão cortando a Península Arábica, o oleoduto havia se tornado, nos seis meses anteriores, a principal rota de escoamento do petróleo do Oriente Médio, enquanto o Estreito de Ormuz seguia praticamente bloqueado pela guerra. Por ele passavam de 4 a 5 milhões de barris por dia — entre 4% e 5% da oferta mundial —, o que mantinha a Arábia Saudita relativamente protegida dos efeitos mais graves da crise que já afeta outros exportadores de petróleo e gás do Golfo Pérsico.
Até o momento, ninguém assumiu a autoria do ataque. Satélites registraram fumaça preta subindo de um trecho do oleoduto ao sul de Medina. O Ministério das Relações Exteriores da Arábia Saudita informou que o ataque deixou feridos e causou danos ainda em avaliação, sem detalhar o efeito sobre as exportações. Em visita à Irlanda, onde participava de um torneio de golfe em um resort de sua propriedade, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse considerar o Irã o provável responsável.
Sauditas pedem ajuda militar dos EUA contra os houthis
O barril de petróleo disparou de preço na semana anterior, e o diesel bateu recorde de varejo nos Estados Unidos, superando US$ 6 por galão, enquanto americanos e iranianos atacavam petroleiros. No Iêmen, os houthis, ligados ao Irã, avançaram por trechos do Mar Vermelho, ameaçando comprometer também essa rota. Isso deixa o governo americano diante de um dilema: apoiar os sauditas contra os houthis e correr o risco de ampliar ainda mais o conflito.
O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, que governa de fato a Arábia Saudita, telefonou a Trump na quinta-feira (10) para pedir apoio militar americano contra os houthis, segundo três fontes ouvidas pela Reuters. De acordo com elas, o príncipe foi avisado de que os EUA não entrariam diretamente no combate por ora, mas colaborariam com dados de inteligência. No sábado (12), Trump confirmou a conversa e disse que os houthis também haviam contatado seu governo pedindo que Washington não se envolvesse diretamente no conflito.
Quatro fontes do governo do Iêmen disseram à Reuters que os houthis haviam tomado, na sexta-feira (11), a ilha estratégica de Perim, no meio do Estreito de Bab el-Mandeb, na foz do Mar Vermelho.
