Itamar Vieira Junior esteve na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip 2026) e abriu os bastidores de sua escrita em uma entrevista gravada no próprio evento. O material foi divulgado neste domingo (13) e trata de como ele constrói os livros e de onde vêm as ideias que viram narrativa.
O escritor contou que, quando começou, não supunha que aquelas histórias encontrariam tamanha receptividade entre os leitores.
Temas que sustentam a obra
O autor é apontado como um dos nomes mais relevantes da produção literária brasileira atual. Seus livros partem das desigualdades sociais, da ancestralidade e da memória para chegar a uma ficção de força reconhecida pela crítica.
Foi justamente esse repertório, colhido de realidades pouco visíveis na literatura, que o levou ao centro do debate cultural no país.
Da geografia para a ficção
Soteropolitano, Itamar Vieira Junior formou-se em geografia e tem doutorado em Estudos Étnicos e Africanos. O percurso acadêmico aparece na prosa sensível e ligada às realidades de quem vive no Brasil.
A estante de prêmios reúne três dos mais prestigiados do meio literário: o LeYa, o Oceanos e o Jabuti. O reconhecimento o colocou entre os autores nacionais com maior número de traduções e de leitores dentro e fora do país.
Hoje seus títulos circulam em vários idiomas e alcançam públicos que nunca tiveram contato com o sertão baiano retratado nas páginas.
A Trilogia da Terra
Torto Arado é o romance que o projetou. O livro virou fenômeno editorial e passou de um milhão de exemplares vendidos, número raro na literatura nacional.
Depois dele vieram Salvar o Fogo e, por último, Coração sem Medo, obra que fecha o ciclo batizado de Trilogia da Terra.
Na produção de contos estão Dias, Doramar ou a Odisseia: Histórias e A Oração do Carrasco. Os três volumes integram o conjunto de histórias curtas assinadas pelo escritor.
Produção para novos públicos
A escrita do baiano também alcançou a infância. Com Chupim, ele passou a falar com leitores de outras faixas etárias e ampliou o alcance de seu trabalho.
Conduzida pela jornalista Katy Navarro, a conversa dura cerca de 30 minutos e percorre processo criativo, curiosidades, títulos, lançamentos e indicações de leitura.
O bate-papo passa ainda pelas diversas narrativas literárias produzidas por autores brasileiros. A gravação foi feita diretamente em Paraty, durante a realização da Flip 2026.
