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Bônus de Itaipu derruba conta de luz e IPCA tem deflação de 0,32% em agosto

O custo de vida no Brasil recuou em agosto. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a meta de inflação do país, registrou variação negativa de 0,32% no mês, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na sexta-feira, 11 de setembro. Foi a primeira deflação desde agosto de 2025, quando o índice marcou -0,11%, e a queda mais intensa desde agosto de 2022.

O resultado ficou abaixo do registrado em julho, quando o IPCA subiu 0,07%, e também superou a queda projetada por analistas consultados pelo mercado, que esperavam recuo em torno de 0,29%. Com isso, a inflação acumulada em 12 meses desacelerou de 4,44% para 4,22%. No ano, o índice soma alta de 3,11%.

Energia elétrica foi o principal fator de alívio

A maior contribuição para a queda veio da conta de luz. A energia elétrica residencial ficou 7,63% mais barata em agosto e, sozinha, retirou 0,33 ponto percentual do índice geral. Segundo o IBGE, o movimento se explica pela incorporação do Bônus de Itaipu, crédito aplicado nas faturas emitidas no mês.

O bônus é distribuído anualmente a consumidores residenciais e rurais a partir do saldo positivo apurado na conta de comercialização da energia da hidrelétrica binacional no ano anterior. Por se tratar de um crédito pontual, o efeito sobre a inflação tende a ser revertido nas leituras seguintes, quando as tarifas voltam ao patamar normal.

Por causa da energia, o grupo Habitação teve queda de 1,87%, a maior entre os nove grupos pesquisados. Houve reduções expressivas em diversas áreas pesquisadas, como São Paulo (-7,42%) e Fortaleza (-7,84%).

Transportes e alimentos também ficaram mais baratos

Além de Habitação, outros três grupos registraram deflação em agosto:

  • Transportes (-0,86%): as passagens aéreas caíram 13,17% e os combustíveis recuaram 0,91%, com baixas no etanol (-3,95%), no óleo diesel (-0,80%) e na gasolina (-0,59%).
  • Alimentação e bebidas (-0,34%): itens in natura puxaram o recuo, como batata-inglesa (-19,89%), cenoura (-11,22%), cebola (-11,07%) e tomate (-10,94%).
  • Comunicação (-0,09%): leve redução no mês.

Nem todos os preços cederam. O leite longa vida, por exemplo, subiu 1,78%. Entre os grupos, a maior alta foi de Despesas pessoais, com avanço de 1,30%, influenciado pelo cigarro, cujo preço subiu 19,59% e exerceu o maior impacto individual positivo do mês, de 0,11 ponto percentual.

Resultado nas regiões e no INPC

Entre as áreas pesquisadas pelo IBGE, Curitiba apresentou a variação mais baixa, de -0,64%, enquanto Brasília teve o resultado mais próximo da estabilidade, com -0,02%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, também caiu 0,32% em agosto. O indicador acumula 3,17% no ano e 3,98% em 12 meses, abaixo dos 4,10% observados até julho. Em agosto de 2025, o INPC havia registrado -0,21%.

Efeitos para aluguéis e para a política de juros

O acumulado de 12 meses do IPCA serve de referência para o reajuste de parte dos contratos de locação e de outros acordos indexados ao índice. Contratos corrigidos pelo indicador com aniversário em outubro terão atualização de 4,22%.

A deflação chega em uma semana decisiva para a política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 15 e 16 de setembro para definir a taxa Selic, hoje em 14% ao ano. A meta de inflação perseguida pela autoridade monetária é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, e o acumulado de 12 meses está dentro desse intervalo.

Ainda assim, a leitura de agosto precisa ser vista com cautela. Como o principal motor da queda foi um crédito temporário na conta de luz, a expectativa é que a energia volte a pressionar o índice nos próximos meses. Somam-se a isso a bandeira tarifária amarela, mantida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em setembro, e a volatilidade do petróleo no mercado internacional, fatores que devem ser acompanhados de perto por consumidores e pelo Banco Central.