Equipes de resgate nepalesas procuravam, na segunda-feira (7), mais de cem trabalhadores de usinas hidrelétricas que poderiam estar presos em túneis, dias depois de quatro resgates milagrosos dos escombros das enchentes que devastaram cidades e vilarejos na fronteira do Himalaia com a China. Os resgates dos dias anteriores haviam trazido esperança, no momento em que o Nepal completava o 13º dia após o desastre — tradicionalmente o último dia de luto nos ritos hindus — pelas centenas de mortos nas enchentes.
Do total de 900 pessoas dadas como desaparecidas nos projetos hidrelétricos, cerca de 121 poderiam estar presas justamente nesses túneis, segundo equipes de resgate do Exército; as demais teriam trabalhado em outras áreas das usinas, fora da extensa rede subterrânea.
Buscas se concentravam no projeto de Chilime
Entre as pessoas que as equipes tentavam localizar naquela segunda-feira estavam quatro das seis desaparecidas no projeto hidrelétrico de Chilime, no distrito de Rasuwa, duramente atingido, que ainda poderiam estar vivas, disse à Reuters Shri Ram Neupane, parlamentar envolvido nos esforços de resgate. As autoridades haviam obtido equipamentos especializados e identificado as técnicas necessárias para a operação em Chilime, segundo Neupane. As equipes de resgate acreditavam que poderia haver sobreviventes presos dentro dos túneis, pois muitos deles têm bolsas de ar, além de espaços e salas onde as pessoas poderiam se abrigar, como haviam afirmado na semana anterior.
Nos dias anteriores, quatro pessoas haviam sido resgatadas pelas equipes de busca: um cidadão chinês, retirado de um túnel no sábado (5); dois trabalhadores de usina hidrelétrica, resgatados de outro túnel na sexta-feira (4); e uma mulher nepalesa, retirada de sua casa soterrada no sábado.
País marcou 13º dia de luto pelas vítimas
Órgãos governamentais do país de maioria hindu e representações diplomáticas no exterior hasteariam a bandeira nacional a meio-mastro para marcar o 13º dia após as mortes, informou o Ministério do Interior em comunicado — data tradicionalmente comemorada como último dia de luto pelos fiéis, com rituais e oferendas de alimentos. O desastre teve início em 26 de agosto, quando o desabamento de parte de uma geleira despejou uma enorme massa de lama e rochas em um rio na fronteira entre o Nepal e a região tibetana da China, arrasando cidades e vilarejos e soterrando estradas sob lama e detritos. Pelo menos 1.380 pessoas morreram no deslizamento de terra, e mais de 5.500 permaneciam desaparecidas no Nepal e no Tibete.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores do Nepal pediu à comunidade internacional o envio urgente de drones de alta capacidade, pontes Bailey, kits de teste de DNA, trajes para resgate em túneis e itens de prevenção a epidemias. Com as equipes de busca ainda à procura de sobreviventes, o governo do Nepal não havia planejado nenhum evento de maior porte para o dia de luto. “Não há programas governamentais organizados, pois as operações de resgate e busca ainda estão em andamento nas áreas atingidas pelas enchentes”, disse Phanindra Paudel, do Centro Nacional de Operações de Emergência (NEOC), à Reuters. O presidente Ram Chandra Paudel, chefe de Estado cerimonial, visitou na segunda-feira (7) as áreas atingidas pelas enchentes para avaliar os danos causados pelo desastre, informou seu assessor.
Segundo publicação do primeiro-ministro Balendra Shah nas redes sociais, agentes de segurança da prisão distrital de Nuwakot — um dos dois distritos mais afetados — conseguiram salvar 923 detentos, transferindo-os a tempo para um prédio em ponto mais alto, antes que a enchente atingisse, em 26 de agosto, o edifício em que estavam, situado em área baixa. Shah acrescentou que outros 50 detentos, que tinham derrubado o muro e os portões da unidade no início da enchente e fugido apenas 100 metros, foram recapturados.
China prometeu compartilhar informações do desastre
No domingo (6), autoridades da China informaram a recuperação de mais 12 corpos pelas equipes de resgate, que continuavam buscando centenas de desaparecidos no Tibete. Muitos dos desaparecidos eram indianos ou pessoas de origem indiana que estavam na região para visitar o Lago Mansarovar e o Monte Kailash, locais sagrados de peregrinação hindu. “A parte chinesa continuará a fazer todos os esforços para conduzir operações de busca e resgate e lidar com as questões pós-desastre”, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning, em entrevista.
Famílias de turistas estrangeiros desaparecidos no Tibete vinham pressionando o governo chinês, alegando dificuldade para obter informações sobre seus parentes. Mao disse que Pequim divulgaria prontamente “informações atualizadas sobre a situação do desastre e as atividades de resgate”. Ainda no domingo, autoridades chinesas convidaram, pela primeira vez, jornalistas de oito veículos de imprensa estrangeiros — entre eles a Reuters — para visitar as principais áreas atingidas.
